Apaixonei-me por uma andorinha,
Mas que inconsciente sou,
Esqueci-me do que trago na algibeira
E aguardei enquanto as estações passaram…
E aguardei ao sol, à chuva e ao frio,
Alturas houve em que me senti engripado,
Aguardei e nesse bocadinho de tempo,
Pouco ou nada brinquei de tão séria
A espera esperançada se havia tornado.
Enfim lembrei-me de que as andorinhas,
Apesar de charmosas e tão bonitas,
Estendem suas asas e alcançam
Apenas o transitório, o finito,
Não são certas, elas querem é voar,
Elas aprenderam a voar pelo mundo,
Elas precisam de voar!...
Eu não voo por aprendizagem,
Eu voo pois nasci assim e assim vim cá ter.
Não sou colibri por escolha,
Não sou colibri de todo,
Mas quando ele estende suas asas,
Eu esvoaço de colibri,
E então sim, voo por aí.