sábado, 5 de dezembro de 2015

Amar é sofrer e se amar é sofrer
Então mas que bela sentença,
Há que sofrer e deixar-se morrer
Pois na cura vejo a maior doença.

domingo, 19 de janeiro de 2014

O significado da vida
É que não terias uma vida
Se aqui não tivesses nascido…
Brincámos aos soldados de papel
Tentando voar que nem aviões de chumbo
E estas saudades, estas saudades,
Saudades que nenhum outro povo conhece
Pois quando tudo, tudo, tudo se vai
Só ficam 21 gramas de simplicidade,
O simples e simplesmente eu.
Eu… a mim… Eu…
Pergunta-me se me vi por cá a passar,
Dir-vos-ei que apenas vi o espaço
Entre as margens que penso
Realmente terem aparecido,
(Porém nem disso tenho certeza)
Tudo o resto tem sido a doce miragem,
O belo sonho, a ilustre e terna ilusão,
O sorriso e a lágrima
Deixados ao trilho,
Nem mais, nem menos.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Um dia escaparei

Um dia escaparei,
Não como quem escapa
Mas como quem quer procurar,
Já vi em demasia, já demasiado voei
Cansam-me as asas, vivo à socapa
Daquele dia em que soube amar.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O rapaz que vive sob as estrelas

O rapaz que vive sob as estrelas
Sabe o verdadeiro significado de lar,
O seu tecto é tal e qual como o meu,
Pintado a cerúleo e a tudo o que ele contém.
A chuva, a Lua e o Sol são os seus melhores amigos,
Perdia-se como eu quando não havia flores e a lua era nova.
Tal como as batidas destas asas
Cada passo seu era dado com um Amor
Que não era deste mundo...
Sim, também murchava e ficava triste,
Ele era um rapaz, não um colibri,
Porém, quando sorria…
Estas asas eram dele também,
E eu nele era…

Vejam com olhos de ver:
O céu é tanto e a maresia também
Contudo raramente suficiente para o outro mundo,
Falo-vos de coisas inerentemente belas e sinceras,
Da delicadeza do desabrochar de uma flor,
Ou o ultimo desejo soprado ao ouvido do dente-de-leão,
O perfume familiar de uma manhã primaveril guardada na infância
Ou até os primeiros raios a aparecerem dentre nuvens pardas,
Quando penso em estrelas eu sou o firmamento,
Numa gota de água sou todos os ribeiros, rios, oceanos e nuvens,
Imagino o bater das asas do colibri e então voo bem, bem alto
Sonho com plumas e torno-me em todos os voos de todos os tempos,
Penso em éter e em galáxias e sou o Inteiro,
Penso em ti e estou completo.

(Assim era o céu e tudo que este continha através do seu Ver).

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Tenho a brisa leve e o vento da tormenta na algibeira

Tenho a brisa leve e o vento da tormenta na algibeira
Alguns pensam que isso equivale a nada,
Que tenho bolsos vazios ou por encher,
Não percebem de que quando os abro
Ou quando ele se deixa ir:
Eu o deixo sair tornando-me nele.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Temos tantos sóis e tantas estrelas

Temos tantos sóis e tantas estrelas,
Pessoas andam,
Falam,
Expelem,
Andam mais um pouco,
Dizem isto e aquilo,
Arremessam coisas,
Falam sobre aquilo e outras coisas,
Expelem…
Mas será que respiram?
Será que são a mão aberta no abraço?

domingo, 21 de abril de 2013

Os ninhos nascem de manhãzinha

Os ninhos nascem de manhãzinha,
eram pirilampos à espreita
pela porta da vida.
Sente o cheiro dos hábitos,
Sabiam então a hálitos rarefeitos
em bocadinhos miúdinhos
triturados com manteiga,
duas porções de açucar
e pão de milho
para levar no caminho
as flores do meu coração
e plim, plim, plim
plam, plam, plam.

Nachio e Pinto
Cadáver Esquisito

sexta-feira, 1 de março de 2013

Das partes elipsadas

Das partes elipsadas
Quais partes ainda serei?
Espero que seja aquela,
Aquela que entre todas,
Todas e todas as outras
Será sempre a mais inteira.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sou tudo, tudo!

Sou tudo, tudo!
Sem nunca passar pela hipótese,
Pela possibilidade,
De tudo tenho sede
De tudo tenho necessidade,
Daí os voos desmedidos
Serem à proporção do olhar que os tem visto,
Portanto ora insisto, ora procrastino…
Mas sendo sempre tudo
Sem nunca passar pela hipótese
E de tudo o que vejo,
De tudo o que toco,
De todos que beijo,
Nada retenho…
Pois nada é meu para reter
Porém... porém todos ainda trago.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

E se eu afirmasse que somos irmãos das estrelas

E se eu afirmasse que somos irmãos das estrelas
E reiterasse que és tão importante quanto elas?
Que trazes o sabor do vento nesse olhar atento
E as cores invisíveis nesse aparente casual intento
De simplesmente ser nessa singular voz
Que é tão grande ou maior do que todos nós
Que respira e resfolga em cada breve passada
Que é para além do que é sendo o tudo e o nada
E se te dissesse que estás aqui para brilhar
Nesse sorriso bonito ou mesmo no belo lacrimar,
E se te dissesse que és fruto além da Luz e das Trevas
De que para ser não basta bastar mas acreditar e ser nelas
Pelo caminho que perfaz divino o meio ou o menor humano
Que é o seu próprio caminho e que o casual não é engano?
E... E se eu afirmasse que somos todos irmãos das estrelas
E reiterasse que és tão ou mais importante do que todas elas?

sábado, 29 de dezembro de 2012

Sobre os supostos pensamentos sobre a felicidade

Sobre os supostos pensamentos sobre a felicidade
Simplesmente larguei-os à brisa do vento
Aceitando de que se não a sentir
Estarei simplesmente triste...
E como preciso dessa tristeza,
É a única forma que reconheço
O que é estar realmente feliz.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

"Olá" é o que me apetece dizer

"Olá" é o que me apetece dizer,
Não sei se endereçado a alguém,
Dado que me revejo nesse não saber
E provavelmente de toda a gente
Nem teria mesmo quem,
Quem o soubesse escutar bem.
"Olá" a cada nova flor,
Mesmo que traga revinda dor,
Que me deixe de novo insano e dorido
E relembre o quão este coração está partido.

Porém neste de flor em flor,
Cansam-me as asas de tanto querer
Dizer “Olá” no que me apetece expor
E de tanto almejar desaprender o saber
E crer no ouvido de quem souber escutar,
Que sinta como eu ou que saiba enlaçar
Os cordões que trago perto do peito
Beijando-me a testa, adormecendo-me em seu leito

Pois cansa-me de mais esta carência
De um “Olá” devolvido de volta a mim,
E assim o que em mim era torna-se ausência
Do início do que será a seguir ou mesmo o fim…
Não digas “Adeus” pois isso parte-me as asas
Que não são minhas mas de Deus e o ósculo atrasas
Na natureza sincera deste voejar a não ser
Sim… "Olá"… é o que sempre me apetece te dizer.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Voltei daquelas Andanças,

Voltei daquelas Andanças,
Onde a meu lado caminharam
Mil milhões de arco-íris e mais de sete
Cores despontaram na visão que os viu.
Essa visão findou porém, suas cores perduram
Na tela das almas por eles pintados,
Enquanto houver alma, há cor e horizonte a pintar...
...Então, que a Vida me derrame além, preenchido.

Sob a sombra desta árvore

Sob a sombra desta árvore
Temos apanhado raios de sol,
Daqueles muito suaves - no rosto
Harmonias silvadas pelas nossas amigas
E neste instante, sou também suas sombras
E essas harmonias docemente silvadas,
Sob os raios do sol sou-os também,
Logo aqui, aqui, aqui…
…aqui Sou (a consciência de Deus),
Nesta espontânea inconsciência claro.

O que é o Amor?

O que é o Amor
Se à sua ausência
As cores não se dissiparem
O Inverno não se alastrar na planície,
O cinzento não esmorecer
E já agora o branco também?