quarta-feira, 30 de março de 2011

Atirei um seixo redondo,

Atirei um seixo redondo,
O mais redondo que alguma vez vi,
À carapinha de um senhor enfatuado,
(Vós sabeis, aqueles que andam de fatos)
E de facto,
Vão sendo chamados de senhores,
Por andarem com fatos cheios de etiquetas.
(será que se vestisse apenas uma etiqueta grande de marca,
Seria mais senhor e mais melhor bom do que todos os senhores enfatuados?)
E achei muito estranho pois ela não repinchou,
Não deslizou de ondita em ondita como costuma,
Não fez o característico *splash* final.
Bateu na cabeça dele, caiu e parou no chão.
Hoje aprendi algo muito importante,
Os senhores enfatuados com gravatas,
Infelizmente, não são como os Lagos
E por não serem como os Lagos,
Detestam que lhes atirem seixos.
(Amanhã tentarei com outros objectos) :).

Estas linhas

Estas linhas,
Escrevem mais em mim,
Do que eu nelas,
Sou abençoado e a bênção
(e na bênção sou também)
Por ter algo,
Que saiba tanto
Sobre o simples e singelo eu,
Quando o simples e o eu,
Pouca ideia faz,
Do que quer que seja,
Por isso é que sou,
O simples, e o
Simplesmente singelo,
E a bênção o é em mim.

Trouxe uma pirilampa de luz

Trouxe uma pirilampa de luz,
Encontrei-a num sitio muito distante,
Ela cintilava intermitentemente e muito,
Mas nessa incerta intermitência,
Era absolutamente constante
Algo de muito, muito bonito,
E por ser bonito quis partilhar,
Com todos os que são belos logo,
Com todos, pois todos somos tão belos,
Da nossa forma peculiar e engraçada,
Deitei-me na relva e soltei-a,
A pirilampa esvoaçou e rodopiou,
No tecto do céu, e que linda foi,
Chamou as suas amigas mais próximas
E eu de cabeça na relva, agraciado,
De olhos enfim abertos e cintilantes,
Reflectindo o seu brilho, sorrindo,
Com o sorriso que é apenas meu mas,
Eu partilho com o quem quiser sorrir,
Com quem quiser brincar um pouco,
Se viver é muito mais do que isto,
Alguém deve andar mesmo enganado.