quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Beijo as Flores

Beijo as flores,
Pois posso beijar,
E posso-o fazer pelas flores,
Logo onde há erro neste silogismo?
Não há flor que não anseie um toque,
O toque singelo, aquele da permutação,
Não há flor que não deseje ser a menina
Mais importante de um mundo bonito qualquer
Porém, um dia comecei a pensar nisto,
E nesse dia tive uma enxaqueca terrível,
Fiquei doente da cabeça, doente do espírito,
Houve um dia em que estava como aqueles,
Aqueles amarelados dias de chuva de Outono,
Nesse dia ousei pensar no que havia sentido,
Nunca houvera maior dor de cabeça prévia a essa,
Mas nesse dia, sessão de improviso africano mental
E ainda fiquei com um nó no estômago, uff!.
Há coisas que são para acontecer
Não pre ou meditar sobre.
Há dias até que,
Que me encaminho para a praia
Nesses dias por norma está de noite,
Para as estrelas, no meu olhar ficarem,
E verem em toda a sua plenitude,
O seu parcial mais sui-generis,
A sua criação mais congénere.
Aquela que é tudo o que a rodeia,
E tudo o que a rodeia, tem bocadinhos dela.

Quando sabia escrever

Quando sabia escrever
Dava nomes aos poemas
Apelidava-os de poemas,
Chamava-os de meus,
Achava que isso era escrever
Contudo agora que não sei,
Respiro de alívio.

Não tenho consciência

Não tenho consciência
Da beldade do que escrevo
Se o tivesse,
Provavelmente,
Não seriam leves
Não seriam soltos,
Não seriam meus,
Se não fossem meus –
Tanto teu claro que o lês -
(então) Eu seria alguém outro,
Logo, minha escrita não me pertenceria.

Consoo redenção

Consoo redenção
No simples e bonito
(o meramente esplendoroso
É demasiado intrincado para reter).
Esqueço o complicado
Em cada respiro que exalo,
Honro o transcendente,
Imanente no seu âmago,
Os suspiros esses,
Guardam-me para o avassalador
Contido em cada iminente momento
Sincronismo no cruzamento,
Com o estranho transeunte familiar,
A menina que gosta de cor-de-laranja,
Partilhou comigo a sua enternecedora mão,
Eu segurei-a até esta arder em excesso,
Disse-lhe até já, espero vê-la em breve,
E conseguir transparecer através ….

Vi no olhar que era para sorrir

Vi no olhar que era para sorrir
E o respirar
Em passos
Conhecendo o andar
Mas escolhendo o caminhar,
Sem limites quanto à probabilidade,
Do sonho sonhado em seu esplendor.
Meu apartado?
Algures leve, calmo e sorridente,
Onde quer que seja onde quer…
Que aconteça o sítio,
Que o seja em mim.

À velocidade do pensamento,

À velocidade do pensamento,
A mais rápida de todas,
Leva-me para sítios deslocados daqui,
Sítios bonitos, leves e fofos,
Parecidos com os flocos de neve,
Que lançamos às cabeças alheias,
Com pergaminhos largados pelas pisadas
Das pessoas enquanto caminham na areia,
E nada pressiono, pouco faço por forçar,
(forçar é anti-Vida, é a oposição ao deixar ser
E o deixar ser é permitir acontecer o acontecimento,
É a propulsão de Vida materializada em corpo:
(Vá, regradamente, sim sim sim?))
Trago um coreto onírico no coração,
E na alma, um passarinho vem cantar,
No coreto encontra casa por vezes,
Mas eu nunca o obrigaria a ficar,
Por iniciativa própria, sim minha,
Se alguma vez o tentar fazer,
Eu não estou cá.
Isso eu sei.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Estou numa missão complicada,

Estou numa missão complicada,
Manter a pureza e o espírito limpo,
No meio de lixo orgânico,
Conspurcam-me a mente
E pior o coração,
Apenas os poetas conhecem este Sentir,
Apenas os poetas.
(sentem este Sentir?)
Se porventura algum dia
Me cruzar com algum dessa espécie,
Vou-lhe perguntar onde se preenche
O formulário para requisição de estatuto
De Poeta.
Depois darei o formulário de comer
Às vaquinhas pois elas também
Têm fominha e isso parece nutritivo
Para a alma, isto é, o ser Poeta.

“Sou um imbecil, um imbecil,

“Sou um imbecil, um imbecil,
Coloquei os dedos na ventoinha”
E comprovei de que não era
Uma ideia lá muito brilhante.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ensaio à límpida leveza,

Ensaio à límpida leveza,
A espontânea vontade é bela
Na ausência de regra e esquadro,
Sinto a honra desta companhia apaziguadora
E o meu modesto caminhar
É o meu estrear a escrever
{cada criação jamais deve ser reutilizada}
Respirando fundo,
Principio o rascunho,
O meu olhar é o lápis,
E nada pinto, apenas vislumbro,
E as cores que vejo, são minhas,
Mas eu partilho com quem as quiser ver
(partilhassem este ângulo de perspectiva)
Pois como é sabido,
Nem tudo é para pensar,
Nem tudo é para dizer,
Aprendi a guardar as coisas
Para o seu perfeitamente esculpido e devido
(tudo o que é tem o seu quê de divinamente Belo)
Momento e propicio sítio,
(mesmo as que são inconvenientes e impróprias)
Aprendi que as coisas quando o são,
Têm indiscutivelmente o seu momento e lugar
E isso é o destino tornado visível,
O acaso inevitável afigurado no real,
E de cada minuto algo leve e sorridente
Equilibrando o dever, com o poder e querer.
Dou-me por contente porque o que é Belo
Me inspirar e se reflectir no meu olhar,
(que eu penso alcançar o ver)
E a Beleza, para além da sua infinitude,
Conhece a simetria do universo,
A dualidade ajustada ao pormenor
Agradecer, respirar, fluir.
(E principalmente, o deixar, o permitir Ser).

Que nem as borboletas

Que nem as borboletas
Vivo cada dia
Um de cada vez
E cada momento é diferente
E cada momento tem o seu tempo.
Em cada novo adormecer,
Morro para um instante passado
Não acordo nunca e,
Raramente acordo,
Nasço inocente para cada aurora
Cada vista, sinto pela primeira vez,
Entre o acordar e o sonhar
Traço a linha ténue do recipiente
Tido pela encosta universal como criança.
Separo-me das corrupções adjacentes
O exterior não alcança a luz que embargo,
Nem tão pouco a Luz maior de que faço parte.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Este momento pertence-me tanto

Este momento pertence-me tanto
Como eu me dissipo dele,
Faço parte dos bichinhos,
Das coisitas verdes e azuis,
Das conchas encaracoladas
E de tudo o que foi e será,
Eles reciprocam este tactear,
Sim sou sim, sem mácula,
Sou sim o tempo a passar.

Ontem senti o sol

Ontem senti o sol
Senti-o como uma criança
{A criança que sou e trago comigo}
A brincar no recreio pela primeira vez
E sei. Sei que foi recíproco.

Os outros meninos
Apontam-me o dedo
E dizem que soou a doido
Que me importa tal coisa?
Trago comigo uma criança
Cuja única ocupação
É sorrir aos céus
Sabendo que eles sorriem
De volta por ela.
Voltando ao sincero
Ao toque espontâneo,
Inconveniente para outros tantos
Natural para estes poucos.

A inconsciência neste olhar

A inconsciência neste olhar
É minha companheira
Pois enuncio-me com vogais
Na primeira pessoa
Quando nem de tal
Deveria ter consciência.

domingo, 7 de novembro de 2010

Sou um simples repouso

Sou um simples repouso
Para a perfeição tida como excessiva
Que nesta residência é astro cativo.
A consciência evita-me,
E eu fluo pelo que é natural
Sincero, espontâneo e inconsequente
Sem pensar e consciencializar
A vidraça da minha janela
É tão mais bela.

Olho para os seus moldes

Olho para os seus moldes
As suas vidas recursivas
As etiquetas dos seus casacos
E as matriculas das suas carroças
E dou-me por feliz
Por ter tanto mais
Parecendo ter muito menos.

Hoje vi uma rosa

Hoje vi uma rosa
A despontar do meio do alcatrão
Eram milímetros rendidos a quilómetros de gravilha
E apenas eu consegui ver uma rosa
No meio do alcatrão,
Ao ponto de saber com toda a certeza
Que antes de a ver pela primeira vez
Ela me havia avistado a mim.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nunca coloques um passarito azul dentro de uma gaiola, mesmo que esta seja dourada. :)

Teste teste teste

isto é apenas um teste,
uma experiência,
uma tentativa abstraída
daquilo de que é mesmo,
é apenas um teste,
teste, teste, teste.