Almejo, desejo em ardor que nem uma cadela danada
Pretendo realmente tudo, mas não quero mesmo nada,
Pois em mais do que boa verdade, de tão simples que o é,
Que me evade a crença, que me extingue a boa fé,
Mas sim, meus perpétuos amores, estais ainda comigo,
Trago-vos comigo, minhas primaveras e outonos,
Quem nem uma chávena prestes a transbordar,
A vacilar em explosão quase sempre invertida,
Sentida em exponencial sempre em casa partida,
Todos os meus amores e seus sequentes temores,
Trago-vos comigo, numa grinalda junto ao peito,
Admito, tenho pouco jeito, mas quero aprender
A melhorar;
Trago-vos, todos os meus amores, horrores e episódios que tais,
Sempre em copos de papel, em arrítmico ecoar sempre em mais!
Como se há-de aprender o sentido quando este não tem sentido,
O que realmente importa para além do ruído deste caótico canal,
Anseio e quero tudo por tanto e tanto mas mesmo tanto mais,
Que perco instantes do aqui, sem margens reais do perdido.
Já nem tenho espaço para novas recordações,
Quanto mais para o que poderá vir a ser depois,
Do amanhã se mal sei o que do ontem poderá
Ter efectivamente ficado ou até quando ficará.
Em sentimento sou a bênção e o amaldiçoado,
Em romances platónicos na vista do idealizado,
Vai-se sonhando e voando, com asas de Icáro,
Inconsciente face ao que se há já esvoaçado.
A Beleza em demasia fere o coração e desalivia,
O sim ao belo que pode vir a ser, ao beijo que,
Pode ou deve simplesmente ser ao acontecer;
Pt. II
Sim, sinto lucidamente a vibração dos átomos,
Traço suas rotas em probabilidades que decoro,
A consciência do mundo do além e suas ninharias,
Afasta-me do tido como a ilusão oficial e seu indecoro,
Na essência segmentada pelo éter e a única viagem,
Esta curta passagem para tudo o que o único Ver
Puder realmente alcançar e o eu singelamente reter,
Estas palavras são endereçadas aos filhos do Céu,
Aqueles cujo olhar se há tornado no verdadeiro Ver,
Aqueles que transpuseram o zénite do horizonte,
E esse horizonte se tornou o maior fragmento de si,
Vossa passagem por cá será sempre demasiado curta,
Para tudo o que o olhar puder de facto albergar
Ou mesmo conter de tudo o que há para de facto,
Ver e nesse Ver algures existe o simples Viver;
Mas mais do que o simples e o simplesmente viver,
Mais do que a paz interior ou as guerras das flores,
Mais do que aceitação do que é, foi ou ainda será,
Mais do que o harmonioso belo e os seus horrores,
Ou mesmo o melífluo sentir e consequentes temores,
Tenho dificuldades ao aceitar que simplesmente…
…Ainda caminho com as saudades do teu abraço,
(E cá me enlaço e voo para pradarias longínquas)