domingo, 7 de agosto de 2011

Poema em Prosa Provavelmente Incompleto

Almejo, desejo em ardor que nem uma cadela danada
Pretendo realmente tudo, mas não quero mesmo nada,
Pois em mais do que boa verdade, de tão simples que o é,
Que me evade a crença, que me extingue a boa fé,
Mas sim, meus perpétuos amores, estais ainda comigo,

Trago-vos comigo, minhas primaveras e outonos,
Quem nem uma chávena prestes a transbordar,
A vacilar em explosão quase sempre invertida,
Sentida em exponencial sempre em casa partida,
Todos os meus amores e seus sequentes temores,
Trago-vos comigo, numa grinalda junto ao peito,
Admito, tenho pouco jeito, mas quero aprender
A melhorar;

Trago-vos, todos os meus amores, horrores e episódios que tais,
Sempre em copos de papel, em arrítmico ecoar sempre em mais!
Como se há-de aprender o sentido quando este não tem sentido,
O que realmente importa para além do ruído deste caótico canal,
Anseio e quero tudo por tanto e tanto mas mesmo tanto mais,
Que perco instantes do aqui, sem margens reais do perdido.

Já nem tenho espaço para novas recordações,
Quanto mais para o que poderá vir a ser depois,
Do amanhã se mal sei o que do ontem poderá
Ter efectivamente ficado ou até quando ficará.
Em sentimento sou a bênção e o amaldiçoado,
Em romances platónicos na vista do idealizado,
Vai-se sonhando e voando, com asas de Icáro,
Inconsciente face ao que se há já esvoaçado.
A Beleza em demasia fere o coração e desalivia,
O sim ao belo que pode vir a ser, ao beijo que,
Pode ou deve simplesmente ser ao acontecer;

Pt. II

Sim, sinto lucidamente a vibração dos átomos,
Traço suas rotas em probabilidades que decoro,
A consciência do mundo do além e suas ninharias,
Afasta-me do tido como a ilusão oficial e seu indecoro,
Na essência segmentada pelo éter e a única viagem,
Esta curta passagem para tudo o que o único Ver
Puder realmente alcançar e o eu singelamente reter,
Estas palavras são endereçadas aos filhos do Céu,
Aqueles cujo olhar se há tornado no verdadeiro Ver,
Aqueles que transpuseram o zénite do horizonte,
E esse horizonte se tornou o maior fragmento de si,
Vossa passagem por cá será sempre demasiado curta,
Para tudo o que o olhar puder de facto albergar
Ou mesmo conter de tudo o que há para de facto,
Ver e nesse Ver algures existe o simples Viver;

Mas mais do que o simples e o simplesmente viver,
Mais do que a paz interior ou as guerras das flores,
Mais do que aceitação do que é, foi ou ainda será,
Mais do que o harmonioso belo e os seus horrores,
Ou mesmo o melífluo sentir e consequentes temores,
Tenho dificuldades ao aceitar que simplesmente…
…Ainda caminho com as saudades do teu abraço,
(E cá me enlaço e voo para pradarias longínquas)