sábado, 26 de novembro de 2011

Há coisas inerentemente belas

Há coisas inerentemente belas,
Em pessoas e em lugares,
Pelo trilho e pelo caminho,
Nas pessoas e nos lugares,
Observo que o que é belo,
É imutavelmente florido,
Como sentimentos em flores,
Floreando-se em ascensão,
Flores que são sentidas, bonitas.
Inspira-me tanto a sua beleza,
E quando insuflado por essa brisa,
O mundo perde seus nomes,
Porém ganha novas cores,
E eu caminho por seus sítios,
Pela beleza inspirada em mim,
Tento inspirá-la ao caminho em si.
O nosso caminho trilhado é outro,
E apenas deve ser trilhado,
Pelo acto de deixar pegadas,
Logo, eu trilho-o, por ele ser ele próprio,
O resto não o é a na sua proporção mais simples,
Logo aceito que essa não pode ser a proporção certa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Não se é especial

Não se é especial,
Pelo menos pelo que se é,
Mas quando se faz,
Traz-se quem se é para aqui,
E quando se é no aqui, é-se,
E isso é absolutamente especial.

domingo, 6 de novembro de 2011

Têm havido dias

Têm havido dias,
E na passagem deles,
A ausência da sua contagem,
Tem sido a inexistência de planos,
Sinónimos de anedotas para Deus,
E eles têm fluído intemporalmente,
Não marcados cronologicamente,
Mas sentidos e contidos dentro,
Por cada latejar, por cada pestanejar,
O Mundo vai acontecendo livre,
Mesmo na sua ausência.

sábado, 29 de outubro de 2011

O céu aberto

O céu aberto,
E um bom vento,
E o resto passa,
O resto passará,
Pois tanto aqui,
Como ali e acolá,
É passageiro do agora,
Que passa aqui,
Que passará acolá,
Portanto sim,
O resto passa,
O resto passará.

Já todos os artistas

Já todos os artistas
E por artistas quero dizer
Poetas e poetisas
Pois tudo o resto
É uma variação deste imenso,
Dissertaram e descreveram
E analisaram e escreveram
E suspiraram sobre,
Ou sonharam com,
Com e sobre o Amor,
Logo pouparei este coração
(Poupá-lo-ei para outra sazão)
Que o sente a cada esvoaçar,
A cada alvorado despertar.
Não escreverei sobre epopeias trágicas
Ou sequer das estórias fantásticas
Nem de amanheceres ou poentes
Ou mesmo de crédulos ou descrentes
Nem sobre a temível guerra das flores
Nem das advindas belezas ou dores
Nem tão pouco dos voos pelo aberto espaço
Ou das flores beijadas e trazidas no regaço.
Sobre isso já mil milhões escreveram,
Já sentiram e até já o souberam,
Parecido ou diferente de mim
Em frases negativas
Ou afirmando-se em cada sim,
Em fugas elusivas ora em focadas objectivas
Tantos e tão, tão bem que é certo
Que nada tenho a acrescentar
Pois já os ouvi tão, tão perto
E até mesmo ao longe a soluçar
Por amor ido ou almejado
Ou ainda por alcançar,
Em prados verdes
Ou com o coração quebrado.
Já sei as mesmas estórias,
Vi a glória do sangue derramado
E contudo, como o mundo
Num segundo é inteiramente…
Osculado.
Sim,
Sinto-me amado
Pela luz do sol
(Posso mesmo dizer adornado)
E pela bruma escura
Pois o ver é muitos e em súmula,
Sou beijado pelo toque da chuva que
Por vezes minhas asas coloridas enluva,
Portanto,
Não escreverei sobre essas tais coisas,
Escreverei antes sobre a minha caneta
Que é laranja e azul,
Que somente eu conheço,
Que conhece os meus voos
Melhor do que eu próprio
E do que eu sei sobre as coisas.
Sim, gosto desta caneta azul e laranja,
Que ela me transcreva o Mundo,
Que me concretize os abracadabras
À passagem do que foi segundo
E o imortalize através de palavras.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Quando as minhas asas se cansarem.

E então cair redondo,
Na relva verde,
Nesse dia,
Os rios,
As árvores,
E as nuvens,
Sentirão minha falta,
Porém, neste instante,
Nesta passagem por aqui,
Que é tão breve e curta,
Que por vezes, por vezes,
Duvido que esteja realmente a acontecer,
Celebro e festejo todo e cada avistamento seu.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Conheço o envolver do vento,

Conheço o envolver do vento,
Enleva-me por vales e colinas,
E neste voo simples, ligeiro e liberto,
Partilhei com ele o meu próprio voar,
Agora ele já não é somente o vento,
É o vento e o esvoaçar das minhas asas,
Por onde quer que sopre uma brisa suave,
Aonde aconteça um intrépido furacão,
Seja qual for a época da monção
Ele não mais estará sozinho,
Sim, eu estou com ele,
E um dia,
Seja qual for,
Farei parte dele,
Seremos um a retocar de leve,
Os ténues rascunhos da paisagem.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Não tenho nada a oferecer,

Não tenho nada a oferecer,
Há biliões de milhares de prados,
Com milhentas de milhares de flores,
Apenas neste mundo que eu conheço,
E milhares ousei eu beijar esvoejando,
Suponho que há ainda mais noutros, noutros,
Noutros mundos longínquos que desconheço e
Outros mundos nos quais não quero sequer voar,
Nenhuma é deveras minha, nenhuma,
Nenhuma tem o sentir que é o teu,
Não pertenço a nenhuma também,
E posso voar por todos os mundos,
Os próximos e os longínquos,
Continuarei e voar pelo céu,
Que tudo contém e tudo tem,
E como o próprio céu minha flor,
Nada é realmente meu,
Nem meu próprio palpitar,
Não tenho nada a oferecer-vos,
Logo tudo o que me pedirdes,
Será vosso.

domingo, 7 de agosto de 2011

Sei que sei bastante pouco

Sei bastante pouco,
Não sei se faz um escrito,
Este sentido que sinto,
Nem tão pouco sei se deveria,
Sentir o que há sido escrito;
Este não saber muito bem,
Mostra-me que no máximo,
Sei bastante pouco,
E que alivio isso é para mim,
Fazer pouca ideia das coisas
E dos seus porquês e afins,
Posso soar a insano louco,
Mas mesmo dessa loucura
Sei que sei bastante pouco.

Não vou tentar apreciar este momento,

Não vou tentar apreciar este momento,
Pois se o fizesse estaria a forçar-me a,
As coisas leves e bonitas jamais são forçadas.
Abro a janela do sótão onde por vezes passo,
E a luz entra, beijando-me a mão ou o pé,
(dependendo isto de onde ela brilhar).
Se eu realmente quisesse, se eu a forçasse,
Será que a luz viria ainda mais rápido,
Para me beijar as mãos ou os pés?
Aprecio a naturalidade deste momento,
Não forçando a velocidade da luz,
Nem sua própria oblíqua incidência,
Deixando-a simplesmente ser.

Poema em Prosa Provavelmente Incompleto

Almejo, desejo em ardor que nem uma cadela danada
Pretendo realmente tudo, mas não quero mesmo nada,
Pois em mais do que boa verdade, de tão simples que o é,
Que me evade a crença, que me extingue a boa fé,
Mas sim, meus perpétuos amores, estais ainda comigo,

Trago-vos comigo, minhas primaveras e outonos,
Quem nem uma chávena prestes a transbordar,
A vacilar em explosão quase sempre invertida,
Sentida em exponencial sempre em casa partida,
Todos os meus amores e seus sequentes temores,
Trago-vos comigo, numa grinalda junto ao peito,
Admito, tenho pouco jeito, mas quero aprender
A melhorar;

Trago-vos, todos os meus amores, horrores e episódios que tais,
Sempre em copos de papel, em arrítmico ecoar sempre em mais!
Como se há-de aprender o sentido quando este não tem sentido,
O que realmente importa para além do ruído deste caótico canal,
Anseio e quero tudo por tanto e tanto mas mesmo tanto mais,
Que perco instantes do aqui, sem margens reais do perdido.

Já nem tenho espaço para novas recordações,
Quanto mais para o que poderá vir a ser depois,
Do amanhã se mal sei o que do ontem poderá
Ter efectivamente ficado ou até quando ficará.
Em sentimento sou a bênção e o amaldiçoado,
Em romances platónicos na vista do idealizado,
Vai-se sonhando e voando, com asas de Icáro,
Inconsciente face ao que se há já esvoaçado.
A Beleza em demasia fere o coração e desalivia,
O sim ao belo que pode vir a ser, ao beijo que,
Pode ou deve simplesmente ser ao acontecer;

Pt. II

Sim, sinto lucidamente a vibração dos átomos,
Traço suas rotas em probabilidades que decoro,
A consciência do mundo do além e suas ninharias,
Afasta-me do tido como a ilusão oficial e seu indecoro,
Na essência segmentada pelo éter e a única viagem,
Esta curta passagem para tudo o que o único Ver
Puder realmente alcançar e o eu singelamente reter,
Estas palavras são endereçadas aos filhos do Céu,
Aqueles cujo olhar se há tornado no verdadeiro Ver,
Aqueles que transpuseram o zénite do horizonte,
E esse horizonte se tornou o maior fragmento de si,
Vossa passagem por cá será sempre demasiado curta,
Para tudo o que o olhar puder de facto albergar
Ou mesmo conter de tudo o que há para de facto,
Ver e nesse Ver algures existe o simples Viver;

Mas mais do que o simples e o simplesmente viver,
Mais do que a paz interior ou as guerras das flores,
Mais do que aceitação do que é, foi ou ainda será,
Mais do que o harmonioso belo e os seus horrores,
Ou mesmo o melífluo sentir e consequentes temores,
Tenho dificuldades ao aceitar que simplesmente…
…Ainda caminho com as saudades do teu abraço,
(E cá me enlaço e voo para pradarias longínquas)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Quando for grande

Quando for grande
Espero permanecer pequeno,
As pessoas grandes atrás de fatos
São realmente esquisitas
(o mais esquisito é que de tão sérias que estão
Nem sabem que o são),
Aposto que compram quartos
Com janelas viradas para o Mar,
Mas se não apreciarem o Mar,
Para quê terem janelas?
Nem vale mesmo a pena abri-las,
Se a luz não entrar ou não virem mesmo o mar.
Eu trago o Mar, o Céu e a Relva no bolso,
(e isso é porque eles fazem questão de vir comigo,
Somos Amigos de longa data, cúmplices de espírito)
Mesmo quando me esqueço deles.
Num quarto desarrumado e de janelas fechadas,
Sinto-os na mesma, queres a sugestão de um miúdo?
Um miúdo cujo maior ofício é tocar a campainhas e fugir?
Enche os bolsos de coisas bonitas, essas são as mais leves!

Os Reluzentes e a Aurora Crepuscular Pt. III

E eu?
Eu continuarei,
A confundir os aviões nocturnos
Com as oblíquas estrelas cadentes,
Apenas sabendo de que uns são,
Logo apenas sendo, são, simplesmente belos,
E os outros apenas existem e permitem voar,
Mas sempre, sempre, com destinos programados.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Quanto aos medos, aos nervos

Quanto aos medos, aos nervos,
Às angustias e tristezas,
Dá-lhes Tempo,
Tempo para Ser,
Todo o tempo necessário do ser,
Toda a sazão para elas crescerem,
Eventualmente serão crescidas
E quererão partir de casa,
No fortuito a página virar-se-á,
- Casualmente hierarquizada -
E é um dia novo e singelamente será,
Esperançando o melhor,
Espera pelo pior.
Lembrando de que,
O Belo simplesmente o é,
Quando o acusas de se cortinar em brumas
A única coisa somente não certa
- por demasiadas vezes incerta -
É, não a forma como olhas
Mas a forma como não vês.
Até eu deslindei à subtil diferença
Entre o ouvir o Universo e escutar uma Alma.
- e nem foi preciso pensar, apenas estar atento. -
O intervalo é ilimitado, e o sem fim sabe o meu nome.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Atirei um seixo redondo,

Atirei um seixo redondo,
O mais redondo que alguma vez vi,
À carapinha de um senhor enfatuado,
(Vós sabeis, aqueles que andam de fatos)
E de facto,
Vão sendo chamados de senhores,
Por andarem com fatos cheios de etiquetas.
(será que se vestisse apenas uma etiqueta grande de marca,
Seria mais senhor e mais melhor bom do que todos os senhores enfatuados?)
E achei muito estranho pois ela não repinchou,
Não deslizou de ondita em ondita como costuma,
Não fez o característico *splash* final.
Bateu na cabeça dele, caiu e parou no chão.
Hoje aprendi algo muito importante,
Os senhores enfatuados com gravatas,
Infelizmente, não são como os Lagos
E por não serem como os Lagos,
Detestam que lhes atirem seixos.
(Amanhã tentarei com outros objectos) :).

Estas linhas

Estas linhas,
Escrevem mais em mim,
Do que eu nelas,
Sou abençoado e a bênção
(e na bênção sou também)
Por ter algo,
Que saiba tanto
Sobre o simples e singelo eu,
Quando o simples e o eu,
Pouca ideia faz,
Do que quer que seja,
Por isso é que sou,
O simples, e o
Simplesmente singelo,
E a bênção o é em mim.

Trouxe uma pirilampa de luz

Trouxe uma pirilampa de luz,
Encontrei-a num sitio muito distante,
Ela cintilava intermitentemente e muito,
Mas nessa incerta intermitência,
Era absolutamente constante
Algo de muito, muito bonito,
E por ser bonito quis partilhar,
Com todos os que são belos logo,
Com todos, pois todos somos tão belos,
Da nossa forma peculiar e engraçada,
Deitei-me na relva e soltei-a,
A pirilampa esvoaçou e rodopiou,
No tecto do céu, e que linda foi,
Chamou as suas amigas mais próximas
E eu de cabeça na relva, agraciado,
De olhos enfim abertos e cintilantes,
Reflectindo o seu brilho, sorrindo,
Com o sorriso que é apenas meu mas,
Eu partilho com o quem quiser sorrir,
Com quem quiser brincar um pouco,
Se viver é muito mais do que isto,
Alguém deve andar mesmo enganado.